A lógica do atentado a Bolsonaro

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Em mais de uma entrevista Jair Bolsonaro revelou estar ciente do risco de sofrer um atentado. Não por causa de suas declarações consideradas radicais e eventualmente até ofensivas. O discurso de Bolsonaro que assusta é sua determinação de combater a corrupção. Isso contraria os interesses dos que vivem dessa prática, especialmente daqueles cujos partidos são meras fachadas de organizações criminosas. Aquele risco aumentou na medida em que a popularidade e os índices nas pesquisas eleitorais do candidato cresceram.

Tornava-se necessário contê-lo. Primeiro, desacreditando-o, valendo-se de suas opiniões pessoais, negando-lhe o mesmo direito constitucional de que assiste aos que o criticam. Pelos excessos, Bolsonaro está respondendo perante a Justiça. Excessos verbais.

Tais excessos o tornam um candidato pior do que aqueles que querem o Poder para montar ou manter esquemas de corrupção? Que se apropriam de recursos públicos que deveriam ser aplicados na educação, na saúde, na segurança, nos transportes e demais serviços públicos, e cujos desvios causam sofrimento e morte de milhares de pessoas?

Quem mais mal fez ou fará ao País? Alguém com opiniões consideradas radicais, mas que atua nos limites da ordem democrática? Alguém que se dispõe a combater a corrupção e defender valores de moralidade para educação básica? Ou aqueles que iludem as camadas mais pobres da população para sobre elas manter-se no Poder, institucionalizando a compra de votos e aparelhando o Poder Público, sugando e criando estatais para sangrar os cofres públicos? Ou os que roubam descaradamente o Tesouro Nacional, fazendo negociatas com empreiteiras e até acordos internacionais, cobrando e recebendo propinas?

Por mais que tenham tentado demonizar Bolsonaro, a facada que interrompeu suas exitosas caminhadas pelo País revelou uma pessoa sem o ódio daqueles que, apenas insatisfeitos com as decisões judiciais, atacam magistrados, promovem vandalismo e agridem fisicamente os que não vestem suas camisas ou não carregam suas bandeiras incendiárias. Os fatos estão aí, irrefutáveis. Celso Daniel foi torturado e morto sem piedade. Outros, que lhes representavam risco, por coincidência, sofreram acidentes.

A rede Globo, que tanto tem contribuído com inegável sucesso para minar a família e estimular a criminalidade, colaborou involuntariamente para simplificar a aparente complexidade das eleições de 2018. Fez isso com sua campanha sobre o Brasil que os telespectadores querem. Em artigo que escrevi sobre isso – “O que faço pelo País que quero?”, disponível no site www.consensual.com.br -, lembro que a emissora pediu belas imagens, mas os telespectadores mandaram-lhe vídeos denunciando a corrupção, condenando os políticos desonestos e a violência que assola o País.

De um aluno de curso que ministrei recentemente, recebi um áudio no qual ele, referindo-se ao artigo, concluiu pela evidência da lógica que fez de Bolsonaro alvo comum dos demais candidatos. Ironicamente o candidato foi isolado porque ameaça atender à reivindicação dos telespectadores da Globo: combater a corrupção, promover a segurança, prover serviços públicos de qualidade. Ou seja, quer combater o tentacular sistema que propicia a uns poucos usar o poder estatal em benefício próprio e no qual a emissora tem papel relevante.

Se Bolsonaro, eleito, vai conseguir, não há garantia, porque terá de lidar com os corruptos que cada vez mais tomam conta do Congresso. Com certeza, porém, não é ele quem quer transformar o Brasil numa Venezuela. Nem deixar que se transforme numa Somália continental.

Por Carlos Nina, advogado.

 

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